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26/05/2004 22:45
Aos pés do Mestre
Saia da cozinha, venha para a sala...
Indo eles de caminho, entrou numa aldeia. E certa mulher, por nome Marta, o recebeu em sua casa. Tinha esta uma irmã chamada Maria, a qual, assentando-se aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra. Marta, porém, andava distraída em muitos serviços e, aproximando-se, disse: Senhor, não te importas de que minha irmã me deixe servir só? Dize-lhe que me ajude. Respondeu-lhe Jesus: Marta, Marta, estás ansiosa e preocupada com muitas coisas, mas uma só é necessária. Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada. (Lc. 10.38-42.)
Jesus chega com seus discípulos a Betânia, perto de Jerusalém, entra numa aldeia e se dirige para a casa de Marta, irmã de Maria e de Lázaro. Jesus já os conhecia, tinha intimidade com eles e os amava, por isso foi direto para lá, sendo muito bem recebido na casa. Existe privilégio maior do que ser amado por Jesus? Ter intimidade com ele e recebê-lo como hóspede de honra em nossa casa?
Mas ainda que esta família desfrutasse deste grande privilégio, há uma diferença na maneira como as duas irmãs servem a Jesus. Marta, assume a postura de dona da casa, zelosa, ativa, ansiosa, tão desejosa estava para servir bem ao seu ilustre visitante. Ela faz Jesus se sentir muito querido como visitante. Maria, assenta-se aos pés de Jesus, assume uma postura passiva, amorosa e de humildade. Ela faz Jesus se sentir o dono da casa, a pessoa mais importante no recinto. Mais do que fazer algo para ele, ela deseja a sua presença, a sua pessoa, quer ouvir seus ensinamentos e não pensa ficar um só momento longe dele.
Incomodada pela situação, Marta reclama de Maria a Jesus. Há um tom de acusação na pergunta: Não te importas?. Na verdade uma dupla crítica: a Maria e a Jesus. Ainda que pensando em Jesus, ela o critica. Noutras palavras, disse: Senhor, faça alguma coisa, manda ela me ajudar, é para fazer algo para o Senhor mesmo.
Aqui está alguém que ama e tem zelo por Jesus, alguém que o tem no coração, mas que ao invés de saber dele, da sua própria boca, o que ele quer que se faça, ela corre para fazer o que pensa ser melhor. Assim, se empenha em tantas coisas que não aproveita a pessoa de Jesus, não ouve a sua doce voz nem o seu ensino.
É triste pensar que há muitas pessoas agindo como Marta, fazendo o que pensam ser melhor para Jesus sem procurar saber dele. Envolvem-se num ativismo sem freio, fazendo coisas para ele e perdendo o mais importante. Sem tempo para ouvir a sua voz, o seu ensino, para sentir a sua presença. Fazem sem saber se é isto que ele quer que se faça, e ainda assumem uma postura crítica para com os que estão aos pés de Cristo, aparentemente passivos.
Como saber o que é melhor a fazer senão ouvindo do próprio Jesus? O que você tem feito para Jesus é o que ele gostaria que você fizesse? Você tem ouvido Jesus? Tem sentido a sua presença? Tem aprendido dele? Jesus, o grande pregador e mestre, aproveita cada oportunidade que tem para ensinar. Ele não depende de púlpito nem de multidões, só da ocasião. Ele ensina uma lição à Marta levando-a a refletir.
Quando Jesus ensinou a lição a Marta, ela poderia ter tido duas reações diferentes. Pense na Marta orgulhosa dizendo: Ah, Senhor! Estou tentando fazer algo para o Senhor e ainda me repreendes?. Agora pense na Marta humilde dizendo: Perdão Senhor! Eu me enganei, sei que o Senhor sabe o quanto te amo e quero te servir, no entanto, se te agrada mais ter-me junto a ti, deixo tudo, eis me aqui.
Qual destas reações agradaria mais ao Senhor? Saiba, o Senhor usa as circunstâncias, e mesmo os nossos erros, para nos corrigir e ensinar preciosas lições. Como você tem reagido à correção do Senhor: com arrogância ou humildade?
Jesus levou Marta a refletir: Estás ansiosa e preocupada. Não fique assim. Se precisar eu multiplico o pão, mando corvos trazerem alimento para nós ou mando o maná. Vem me ouvir, aproveite o tempo para ficar comigo e aprender aos meus pés. O que estás a fazer, é o que farias para qualquer outro visitante, mas eu não sou qualquer um. Estas coisas te impedem de ter comunhão comigo, te deixam inquieta, ansiosa, cansada, mas e depois, como você vai viver de forma a me agradar se não teve tempo de aprender? Você tenta me agradar à sua maneira, fazendo coisas, mas deve buscar agradar-me à minha maneira. Não deves fazer o que pensas, mas o que eu mando. A comida que você vai servir alimenta o corpo, a comida que eu estou servindo alimenta a alma, qual é melhor? Depois, o que você vai ensinar a outros sobre mim; qual o meu prato preferido? Como vai fazer a minha vontade se só se preocupou em fazer coisas para mim, não em me ouvir e conhecer melhor? Como vai ter fé em mim nos momentos difíceis de angústias e tribulações que te sobrevirão e nas decisões que tiver de tomar?"
Após falar isto para Marta, o que ela fez! Terá deixado a sua comida para receber a de Jesus? Jesus não quer o que podemos lhe oferecer; ele nos quer, pois se nos tiver, terá também o que é nosso, se apenas tiver o que é nosso, poderá não nos ter.
Você acha que Jesus foi injusto com Marta? Certamente que não! Ela continuou crendo em Jesus. Jesus continuou a amá-la, mas quis lhe ensinar que há certas coisas mais importantes que outras. Quis lhe ensinar que é possível estar tão ocupado fazendo coisas para ele a ponto de se esquecer dele, que é mais importante.
Ademais, qual destas irmãs estaria mais bem preparada para enfrentar uma tragédia em família a morte do irmão Lázaro que viria a seguir? Ele era o homem da casa, o sustento do lar, o provedor. Com a sua morte, elas estariam numa situação familiar, financeira e social desesperadora. Qual delas estaria mais preparada para enfrentar esta adversidade? Qual delas estaria mais preparada para enfrentar e entender a morte de Jesus, que também aconteceria em breve?
Mas vejamos a história de Marta e Maria pelo lado da religiosidade versus comunhão. O religioso é capaz de se atarefar com tantas coisas que pode perder de vista o que é mais importante: a comunhão com Deus e o amor ao próximo. Haverá uma grande decepção para muitos religiosos que fizeram tantas coisas para Deus, mas não serão aprovados no dia final.
Veja esta história pelo lado das boas obras versus fé. As boas obras diz: Eu mereço seu amor e elogios, olha o que fiz para ele, certamente estou lhe agradado e ele tem de me recompensar. Porém, a fé diz: Não há nada em que me apoiar, exceto na pessoa de Jesus, sei que nada mereço do Senhor, tudo que ele me oferece é pela sua graça e misericórdia, eu só posso me gloriar nele.
Como você tem servido a Jesus? Você faz obras para ele ou ele faz obras por meio de você? Jesus está na sua vida? No seu lar? Se não está, que tragédia! Mas se está, como tem se sentido: como um visitante ou como o dono?
O que agrada a Jesus é que seja feita a vontade de Deus (João 4.32-34; Mt. 4.2-4). Somente uma coisa nos é necessária: Não te comprazes em sacrifícios, senão eu os traria; não te deleitas em holocaustos. Os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus. (Sl. 51.16-17); e uma coisa pedi ao Senhor e a buscarei, que possa morar na casa do Senhor todos os dias da minha vida, para contemplar a formosura do Senhor e aprender no seu templo (Sl. 27.4).
Qual das duas agradou mais ao Senhor! Qual delas representa melhor a sua vida? Saia da cozinha, venha para a sala, coloque-se aos pés do Mestre para aprender dele e gozar da sua doce presença e da comunhão com os seus discípulos. Escolha a boa parte, a qual nunca lhe será tirada, e receba a aprovação de Jesus.
enviada por bia
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